Hoje fui doar sangue.
Já na sala de doação, entra um homem negro, pobre, homossexual, um ser humano excluído da sociedade e de todos os padrões impostos pelas classe dominantes. Sentada na cadeira, me vem a imagem das pessoas que poderiam receber o sangue daquele homem, cheirando mal devido ao seu trabalho de catador de papelão.
Pensei em todas as pessoas cheia de preconceito e arrogância, cheia de valores mesquinhos e medíocres que salvaram as suas vidas com o sangue nobre de um homem tão pobre. Lembrei da conversa que tive com um amigo, que brincava que seu sangue era "azul".
Sangue nobre não é o sangue que corre em nossas veias, é a fonte de energia humana que desenvolve em nós sentimentos como a dignidade, carácter, humildade e o respeito pela vida, é o amor pelo outro e por tudo que existe de vivo nesse planeta.
A vida é um presente dos deuses. Precisamos ser dignos de viver nesse planeta.
E voltei do centro de doação com a sensação de como nós seres humanos, nos achamos tão inteligentes e grandiosos e dependemos tanto uns dos outros, pode ser rico, pobre, loiro, negro, alto, baixo, mas somos simplesmente seres humanos.
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