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terça-feira, 15 de setembro de 2020

Senhora


Senhora nasce do meu desejo de olhar para a mulher que hoje sou




41 anos, Mãe de 2 filhos. Até aí uma mulher comum. Mas a vida de todas as mulheres guardam segredos. Umas mais outras menos. Vamos empilhando nossas dores, a vida não nos permite olhar para elas. Passei por muitas dores quando me tornei mulher. " O mundo odeia mulheres que não deitam para serem pisadas" com 16 anos já senti os efeitos de ser mulher e dona de mim em uma cidade patriarcal do interior. Toda forma de desmoralização a quem eu era foi feito. Julgamentos e mentiras. Com 16 anos já sabia que para sobreviver no mundo dos homens muitas coisas eu precisava aprender.  São tantas dores empilhadas de lá para cá que algumas eu superei outras depois de algum tempo dancei. Transformei em arte. Quando vejo história de meninas muito jovens que se mataram ou surtaram por viver os duros conceitos do Patriarcado me vejo nelas. Eu consegui superar pois sou privigiada, tenho uma família que conseguiu pelo menos me acolher. Mas nem sempre é assim. Hoje a senhora que nasce em mim olha para aquela menina com a alma perturbada e pergunta para ela, o que ainda você vai carregar? 


Procurando as respostas...

Fotos feita após a Oficina coordenada por

domingo, 6 de setembro de 2020

ÚTERO SUBSTANTIVO MASCULINO

De tempos em tempos eu volto. Gosto deste território virtual, exige de mim uma escrita comprometida. Diferente muitas vezes do universo volúvel do Facebook e do universo perfeito do Instagram. Minha ultima postagem foi em 2016, quantas coisas mudaram de lá para cá. Muitos trabalhos artísticos potentes. Muitos encontros aconteceram neste tempo, encontros que viraram desejos, que viraram pesquisas, que se tornaram íntimos, que viraram arte.  
Um desses o mais especial dos últimos anos Útero Substantivo Masculino.
Tem como objetivo refletir sobre o “corpo-mulher”, confrontar lugares pré-definidos e sistematizados por homens em nosso mundo patriarcal. É uma tessitura polifônica onde diferentes linguagens se aproximam e compõem um mapeamento híbrido, profundo e provocativo do corpo feminino.
Definições de “útero” encontradas em dicionários e sistematizadas pela medicina não dialogam com o corpo (ser) mulher em representatividade, organicidade e essência, mas nos orientam na compreensão de uma cultura criada para e por homens. Tais definições ou indefinições são dispositivos que iniciam a ação de investigar e materializar de maneira singular essas discrepâncias e/ou agressões ao “corpo mulher”, gerando distorções que se dilatam na construção da cena. “Órgãos ocos” que serão tecidos em resistência, recriando sua forma e existência no mundo. Quatro corpos, quatro mulheres que se veem, se movem e se encontram na vida e na cena. A dança, a música e o improviso cênico serão territórios a compor. Com Vivian Trivelin, Ivy Calejon, Lívia Pellegrini, Sofia Ecthgaray, Bruna Camargo e Ben Trevis. Fotos Gaby Rodrigues.