De tempos em tempos eu volto. Gosto deste território virtual, exige de mim uma escrita comprometida. Diferente muitas vezes do universo volúvel do Facebook e do universo perfeito do Instagram. Minha ultima postagem foi em 2016, quantas coisas mudaram de lá para cá. Muitos trabalhos artísticos potentes. Muitos encontros aconteceram neste tempo, encontros que viraram desejos, que viraram pesquisas, que se tornaram íntimos, que viraram arte.
Um desses o mais especial dos últimos anos Útero Substantivo Masculino.
Tem como objetivo refletir sobre o “corpo-mulher”,
confrontar lugares pré-definidos e sistematizados por homens em nosso mundo
patriarcal. É uma tessitura polifônica onde diferentes
linguagens se aproximam e compõem um mapeamento híbrido, profundo e provocativo
do corpo feminino.
Definições de “útero” encontradas em dicionários e
sistematizadas pela medicina não dialogam com o corpo (ser) mulher em
representatividade, organicidade e essência, mas nos orientam na compreensão de
uma cultura criada para e por homens. Tais definições ou indefinições são
dispositivos que iniciam a ação de investigar e materializar de maneira
singular essas discrepâncias e/ou agressões ao “corpo mulher”, gerando
distorções que se dilatam na construção da cena. “Órgãos ocos” que serão
tecidos em resistência, recriando sua forma e existência no mundo. Quatro corpos,
quatro mulheres que se veem, se movem e se encontram na vida e na cena. A
dança, a música e o improviso cênico serão territórios a compor. Com Vivian Trivelin, Ivy Calejon, Lívia Pellegrini, Sofia Ecthgaray, Bruna Camargo e Ben Trevis. Fotos Gaby Rodrigues.





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